quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Não mais. Nada mais.

Já não mais importa
Teu riso, teu medo, teu som.

E já não mais suporta
Meu frio sem ser no teu tom.

Teu olhar não estremece mais.
Não tem loucura mais.
Meu cantar que não te expresse mais.
Não tem loucura mais.

Nada mais. Não mais.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Quanto tempo?

Quanto tempo leva?!
Isso tudo para acabar?
Quanto tempo vai levar?
Isso tudo um dia acaba.

Todo dia um pouco menos
Todo o muito se desfaz
E se esvai.

E cada dia um pouco mais
Todo o muito vira menos
E menos.

Hoje quero uma pausa
Uma só basta...

...de tantos compassos quanto há.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Monodiálogo.

Ei, olha para mim!
Anda!
Escuta aqui uma coisa,

...

Escutou?!

sábado, 20 de novembro de 2010

Relatividade

Não interessa quanto tempo marca o teu relógio,
mesmo que metade dele seja 713 milhões de anos,
ou mesmo que metade dele seja 4,5 bilhões de anos.

O que me importa é que o meu e o teu marquem as mesmas horas,
mesmo que não seja todo o dia,
ou mesmo que na persistência da memória de Dali.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Caminhando aquela minha intensa luz anoitece

Se você pediu para permanecer, um sem fim de tremores deixara de se esconder.

E é a falta deste intenso e forte entenda que nem teu nem mais que enfrente toda a falta que este fim enfim me deixe mesmo eu sabendo o tanto que o querer-me que aparentas nem de perto é o querer-te que aparece nestes olhos deste tolo que não deve nem deixar-se fitar sempre que nem nunca foi desfeito como acordo que eu acordo sem ter vez para esta força que enfraquece tanto sem limite logo agora que

sábado, 2 de outubro de 2010

Em certo tempo do tishrei.

Tempo faz que nossos olhares colinearam-se pela primeira vez.

...tempo!

Na memória ficaram teus sorriso e timidez.
E tempo passou.

...tempo!

Nosso planeta rodou mais de setecentas vezes.
E diante de mim estavas novamente.
Meu olhar enfim deixou-se o teu olhar.
Com sinceridade afirmo que não esperava intimidar-me.
Mas cada vez que teu sorriso fugia para o mundo meu tempo não passava.

...tempo!

Para ver, admirar, sonhar.
Um sentimento errante, mas inibido pela distância que se fez com o tempo.

...tempo!

Até que tua voz ouvi. Sem crer, claro.
Foi perturbador e impressionante ver ruir o rígido e regular cristal que me mantinha isolado todo o tempo.

...tempo!

E de surpresa numa noite barulhenta teu calor macio fundiu a rocha que guardava a ansiedade, que agora faz parte do meu tempo.

...tempo!

Não te quero sob qualquer custo. Nem ouso dizer-lhe.
Deixa esse planeta rodar um tempo.

...tempo!

De surpresa como a chuva de um verão hei de soprar-te um vento na areia que te fará fechar os olhos por tantos instantes quantos se necessitem para que o meu e o seu tempo sejam um só...

...tempo.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

É por bem mais

É por mais que teu ver
E por mais que teu ter
Que bem mais que bem querer
Teu olhar se faz o meu.

E deixou-se o teu fitar
Sem queixar-se do bom
Que bem melhor nem mal se tem.

Chove teu ser sem ter medida lá fora
E inunda todo o meu mundo com teu sorriso.

A tua tão virtuosa melodia ecoa retumbante
E apaga a voz que cala toda a luz.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Cala-me.

Se tua voz não fala
Cala também meu coração
Que nada
Nada mais que o pensamento
Em tudo que teus olhos pelos espelhos se permitem fitar.
Que tristes são as vozes que nem terçam nem quintam com teu cantar.
Que vontade de calar.
Toda voz qu

domingo, 27 de junho de 2010

Dedos e cordas e horas.

Não sabes

Que teus dez, embora nove fazem-me imaginar...
Tudo o que as seis podem ser nas oito por que passas.

E também não sabes

Que gostaria tanto que meus dez, embora nove fossem teus...
E que com as minhas e tuas seis se fizessem vinte e quatro.

sábado, 19 de junho de 2010

Caminhando

E nessa mesma tarde o céu azul brilhava de tal modo que se via meia lua pequenina sem nem risco de uma nuvem sequer surgir para lhe esconder.

Preferi um caminho diferente que passava entre as sombras de umas poucas árvores e concreto sem estar certo se era longe ou mais perto. Mas pouco importava.

A boca seca já reclamava não querer mais aquela sua água e se viu surpreendida por um simpático embora receoso joão-de-barro ou dois que ciscava num tapete escrito Sirius.

Não sei se escolhi o melhor caminho. Mas ter visto teu andar apressado que bem lembrava o simpático joão-de-barro fez-me chegar sem perceber distância.

Nem tempo.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Não quero saber

Eu não quero saber das tuas falhas.
Não quero saber de teu esforço.
Nem tampouco de sua falta de tempo para mim.

Não ligo mais para os teus presentes inesperados.
E nem ligo para tuas tão evidentes qualidades.
Menos ainda para teus pretextos.

Será que essas qualidades são tão evidentes?
Hoje penso que não.
Aos olhos de quem, afinal?

Certamente não são esses meus míopes olhos.
Tu já não és mais quem eras.

Não tens mais na minha vida toda aquela cor.
Nem mais me afligem os segundos à distância.

Hoje fui à tua casa e vi tua janela apagada.
Como todo o resto.

Não sei se por sono teu ou de outrem.
Ou ambos!

Mas brilhava uma lua cheia imensa
Nesse céu tão sem estrelas.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Às vezes nem sempre é assim.

Às vezes a gente perde
O sentido do que mais importa
E esquece junto o que não mais importa

Às vezes dá pra ver
que o tempo passou
E que todo o tempo se transformou

Nem sempre a gente vê o que a gente perde.

Mas um dia descobrimos que o que importa
É o que, depois de tudo,
Se pode ganhar de bom.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

...

Insônia
Assonia

...

Inania verba!

=)

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Fragmentos insones

Pouca coisa é te ter aqui
Pouco é teu olhar
Pouco é o doce toque de tuas mãos
E menos ainda é teu caminhar em minha direção

Tristeza, escute cá uma coisa.
Não tem vez pros teus caprichos.
Nem tenho eu tempo

Não fale agora
Antes que

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Longe.

Tu estás demasiado longe.
Longe dos meus dias,
mesmo estando
todo o tempo ao meu lado.

Longe das minhas noites,
mesmo estando eu a ouvir
seu respirar em todas elas.

Tua rotina se funde à minha.

Mas te sinto longe demais.

Demais.

Não quero mais essa presença distante.

O mesmo vento que derruba meus papéis
Espantou-me hoje o sono.

Junto com este bilhete
que na cabeceira te coloco enquanto dormes.

sábado, 8 de maio de 2010

Mentiras que dizem a verdade.

Ah, esse seu tato!

Essa canção para mentir que em metalepse canta
Com alegoria, faz-se em metonímias
Hiperbolicamente aparecendo em litotes, paradoxos.

Que ironia!
A imensa onda sinestésica
entre diácopes tuas, tão tuas
E epizeuxes, talvez, talvez.

Abre-me assonâncias e aliterações.
Disfemismos e transnominações.

Dizer que amo cada linha tua é eufemismo.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Nem se sabe.

Teu sorriso é simples.
Tímido, até.

E a simplicidade que traz timidez entrega.

Mas mais perto a timidez deixa de ver...

E o sorriso que entre risos desencontra não se sabe o quê que não se vê de tão perto que já se está há pouco tempo que era muito mais perto sem ver quanto quando e quanto enquanto puxa e forte e perto e cura todo mal que ainda ousa em pensamento ser mais perto sem nem ver que menos perto não se quer mesmo querendo que o sorriso volte sério esconde o rosto entre os laços que mal feitos se desfazem como os braços que se fazem traços entre abraços forte espalham pensamentos sem ao menos crer que perto bem mais perto faz-se um sopro entre tantos que não mentem só desmentem o que aquela timidez nem tão se lembra mas se esquece sem ter fim...

Teu sorriso é simples.
Tímido, até.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Estou cheio de você.

Estou cheio de você.
Cheio do seu perfume
Do seu sorriso
Sua criatividade
Tão marcantes.

Estou cheio de você.
Cheio da sua voz
Dos seus pés
Seu ritmo
Tão intensos.

Estou cheio de você.
Cheio do teu canto
De suas notas
Seu ritmo
Tão marcantes.

Estou cheio de você.
Cheio do teu encanto
De suas músicas
Seu olhar
Tão escuro.

Estou cheio de você.
Você está por toda parte
Há você no pensamento
De um despertar a outro despertar

Estou cheio de você.

Estou tão cheio de você
que não cabe mais você aqui.

Você é muito mais do que eu queria.

domingo, 25 de abril de 2010

Leva-me.

Tua luz assim nem brilha tanto
Teu olhar nem assim brilha tanto
Teu talento nem brilha assim tanto
Nem faz que os meus brilhem tanto assim

E no entanto assim encanta.

Teu calor não me aquece nesse frio feito
Tua mão não prende à minha
O todo que és.

E encanta assim no entanto.

Como um encontro sem voz
Daquele que não sou
Com aquela que não és

Somente a mim parece realmente importar
A escuridão que cerca o teu olhar.
Mas tu a fizeste por saber que
outros olhos brilham teus.

Essas palabras minhas não te trazem
Nem tampouco me levam

Pouco importa.

O que as palavras levam é muito mais leve do que aquilo que levam às palavras.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Surpresa.

Não sabia que o querer-te seria
Capaz de aumentar tanto essa entropia
Nada mais do meu dia existiu sem o pensar
No que deveria pensar
Para que o seu pensar
Se torne também meu

E dessa vez
quero mais que esse querer
Quero que o querer-me e o querer-te
Sejam apenas um

Quero seus dias, os melhores
Quero seu sorriso sem limites
Quero seus passos
Assim, tão rigorosamente bem marcados

Todo o muito que produzes
Quero cada letra do que escreves
E todo o muito do que lês.

Mas não me permito deixar de também

Querer seus não tão fantásticos dias
Nem tampouco seu eventual mau humor
E seus momentos de dúvida

Todas as suas imperfeições.

Eu te quero por inteiro.

Porque estou certo de que outros sabores
não tão doces
Juntos, na medida certa, compõem a mais alta gastronomia.

Sei que por ti terei que esperar.

Mas não demore.

Tens apenas todo o tempo que houver.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Para quê tanta pontuação?

Pouco me importam suas reticências.
Pouco me importa o que entre elas haja.
Antes delas também.

O que me importa é ser, sim, o seu ponto final.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Sei que me queres.

Sei que queres meu sorriso.
Sei que queres minha companhia.
Sei que queres ver-me.

E queres que me queiras mais e mais.

Sei que me queres por perto.
Sei que mais que em pensamento.

Sei que queres meus olhos.
Sei que me deixas bagunçar teus cabelos.

Sei que me queres, simplesmente.
Sei que queres.

Sei que me queres, mais 89 vezes.










(Lembranças ao célebre Josef Goebbels)

sexta-feira, 19 de março de 2010

Se parar pra pensar...

É quando paro e penso que percebo
A força do vento que passou por mim.

Você foi um furacão.
Arrancou o que esteve enraizado,
intocável.

Cada momento ainda marca.
E isso vai permanecer.

Se um dia meus ventos bagunçarem novamente seus cabelos,
saberemos.

Se não...

também.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Inconsistência cíclica.

Não sei se em verdade te quero.
Pois nem sei se existes, afinal.
Ou se foste criada por mim.
Inventada sem de fato existir,

mas concreta.

Eu te fiz existir em alguém várias vezes.
E agora quero que existas novamente.
Para ser tudo.
Só para mim.

Mas não quero contudo que me queiras.
Quero por ti meu querer mais sincero.
Quero te querer sem limites, sem rumo.
Quero que roubes meu sono mais e mais.
Quero que me tires do sério.

Se não me quiseres?

Não existe.

Sei que também queres esse querer.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

É.
Vejo que uma das chaves foi encontrada.
Na verdade, são duas.

E já não há mais razões para não abrir o cadeado que nunca em verdade esteve fechado.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

.

Se colocas um ponto final?
Tenho um outro, também.
E um terceiro...

Se quiseres que esse fim te impliques em um novo começo.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Não importa. Não importa.

Não importa toda a minha pressa.
Não importa se esse conjunto de palavras não expressa.
Não importa que não, de modo algum, queiras.

O que importa é que pouca coisa mexe.
Pouco perturba tanto.
E é o que importa!

Não importa tudo que de bom já se faz.
Não importa tudo o que parece ou dizem ser.
Se diz tanto, toma para si e deixa-me.

O que procuro é aquilo que, de fato, bagunce mais

Essa vida, esses dias, esse tudo.

Mas não me leve a mal.

E sim, leva-me.