sábado, 2 de outubro de 2010

Em certo tempo do tishrei.

Tempo faz que nossos olhares colinearam-se pela primeira vez.

...tempo!

Na memória ficaram teus sorriso e timidez.
E tempo passou.

...tempo!

Nosso planeta rodou mais de setecentas vezes.
E diante de mim estavas novamente.
Meu olhar enfim deixou-se o teu olhar.
Com sinceridade afirmo que não esperava intimidar-me.
Mas cada vez que teu sorriso fugia para o mundo meu tempo não passava.

...tempo!

Para ver, admirar, sonhar.
Um sentimento errante, mas inibido pela distância que se fez com o tempo.

...tempo!

Até que tua voz ouvi. Sem crer, claro.
Foi perturbador e impressionante ver ruir o rígido e regular cristal que me mantinha isolado todo o tempo.

...tempo!

E de surpresa numa noite barulhenta teu calor macio fundiu a rocha que guardava a ansiedade, que agora faz parte do meu tempo.

...tempo!

Não te quero sob qualquer custo. Nem ouso dizer-lhe.
Deixa esse planeta rodar um tempo.

...tempo!

De surpresa como a chuva de um verão hei de soprar-te um vento na areia que te fará fechar os olhos por tantos instantes quantos se necessitem para que o meu e o seu tempo sejam um só...

...tempo.