segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Palavras de início e fim.

Na noite de hoje um acontecimento tolo me trouxe a necessidade dessas palavras.
E me fez rever muito do que venho fazendo.

Essas palavras, ao contrário de todas as outras, não têm uma terceira pessoa do singular - ou do plural - trazendo-lhes forma. Ao invés disso, trago algo que nunca trouxe: uma primeira pessoa. Do singular.

Há tempos creio ter deixado para trás uma vontade. Uma vontade minha, só, de subir sempre e ocupar um topo. Um topo teórico, exercitado, treinado, insistido, buscado e encontrado.
Essa vontade é mais velha do que qualquer outra coisa que eu tenha conhecimento. O caminho, na minha cabeça, seria subir sempre. Seja como for, suba sempre.

E essa pala existe desde quando vi que a letra "h" existia e passei a fazer uso indiscriminado das palavras iniciadas por ela.

Sei até hoje onde há essa letra escrita em todo o caminho da antiga casa à única escola. Ninguém via que o garoto do banco de trás contava suas aparições diariamente.

De tanta distração e talvez por achar que passaria por ali todos os dias, sempre perdia a conta e, por isso, até hoje, não sei que quantidade era aquela exatamente.

Nessa mesma época descendo uma tesourinha via em minha imaginação o topo de uma torre de um castelo, com uma bandeirinha vermelha e branca no topo que acenava sempre. Quase 20 anos depois, entrei no Google Maps e segui o rumo daquela torre. Voltei com meu Volkswagen 1979 até o caminho feito na infância e, usando meus óculos adquiridos no início do Século XXI, descobri ser uma torre de aeroporto, não de castelo. E a bandeirinha em seu topo ser o refletor de uma antena. Provavelmente uma Yagi-Uda.

Assim começou a crescer uma criança que odiava ser enganada pelos adultos. Odiava mentira, embora tivesse feito das suas. Nunca ninguém saberá. Essa criança nunca cresceu. Mas prometeu ser legal com as crianças, mesmo depois que fosse uma criança adulta. Dei-me o direito de detestar o comportamento das crianças que me detestavam naquela época.

Foi certamente o início da construção de um esteriótipo que atualmente passa despercebido. Que esconde, na verdade, a tentativa daquela construção.

Talvez hoje o diferente seja ser igual. E gosto disso.

Por vezes achei-me bem por gostar do que não se gosta. E vi que é excêntrico gostar do que todos gostaram depois que ninguém gosta mais. É um saborear diferente das coisas.

Por tempos achei que todos poderíamos ser e fazer qualquer coisa nesse mundo. E podemos, na verdade, embora eu não ache mais isso.

Remonta o período anterior minhas primeiras lições de literatura. Eu nunca tinha entendido o senhor de Matos Guerra. Pois, afinal, até então eu sempre lia poesia como manuais de geladeira.

Um dia "lia" foi de verbo a substantivo e tudo começou a mudar. Passei a mastigar muito mais. Alimentos e palavras. Inserindo no esteriótipo um gramatiquista psicótico ingênuo e um comilão disfarçado de magrelo careca. Nada de cabelos nessa época.

Aliás, como foi que eles surgiram? D. Juliana tem sua vaga no céu garantida por acompanhar-me na época em que minha mente era um livro aberto. Ou parecia para quem via de longe.

De todo esse tempo para cá, continuamente, a busca por tudo - sem pousar sobre nada - acabou culminando no início da construção de um heliporto maior que qualquer continente. Em algum lugar havia a ideia de que seria simples expandir-se mais e mais.

Nenhum alerta adiantaria. Nenhum alerta adiantou. Afinal, somos um reflexo de nossas vontades. São nossas ambições que empurram nossos sonhos acordados, são nossos desejos que influenciam todas as nossas decisões.

É um jogo de xadrez contra mim mesmo. Nem sempre queremos querer o que queremos.

Até que surge uma panela.

E quanto de mim vejo vir de vocês. Vontades, receios, força, deleite, ambição, segurança, planejamento, organização, voz.

Com a imensidão de tantos talentos encontrei-me estonteado. E ver que todos somos pessoas, humanos com tantos defeitos, passei a ter a certeza de que são nossas fraquezas que nos fortalecem. Porque é a existência delas que reforça tão intensamente "os talentos que temos, mas que fiadaputa nenhum dá valor...".

E como foi bom ver que a elegância e a cultura são virtudes com que temos sempre o que aprender.

Mas como posso começar falando que vou falar só sobre mim, se tanto de outrem acabou sendo falado?

Talvez porque um tanto do que sou é tanto de tantos outros que me fazem a cada dia.

E essas palavras querem agradecer a todos que tiveram participação na construção não apenas do que sou hoje, mas de tudo que poderei ser no futuro.

Agradeço formal e especificamente:

- Um por um dos nãos que ouvi.
- Um por um dos nãos que pude dizer.
- Cada gesto tolo de que me arrependi.
- Cada palavra chula que disse na hora errada e fui repreendido.
- Cada anedota imunda repetida que insisti em contar.
- Cada elogio.
- Cada palavra em idiomas estrangeiros.
- Cada palavra da nossa Inculta e Bela em seus mais variados significados.
- Cada indicação de filme, livro. Não pense que não vou ver ou ler todos. Frequentemente o faço.
- Cada abraço e sorriso sinceros.
- Cada despedida. A distância pode unir pessoas para sempre.
- Cada fotografia.
- Cada puxão de orelha.
- Cada "seja engenheiro, cara!".
- Cada "não seja engenheiro, cara!".
- Cada prova absurda em que um 2,7 vinha como uma boa notícia.
- Cada gafe por mim cometida e ridicularizada diante de vários.
- Cada gota d´água ou Heineken.
- Cada comida, com ou sem glúten, carne, calorias ou lactose.

É por tudo isso e por tudo que eu só vou me lembrar de dizer quando clicar em "POSTAR" que agradeço.

Poucos conhecem ou lêem este blog. E se eu fiz questão de te trazer até aqui é porque essas palavras contêm você.

Sei que 2010 vai ser um ano sensacional para todos nós.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Certa cousa certa.

Que será cousa certa?
Certa cousa será?
Se não me acertas, certo será?
Se não te acerto, incerto...

Não estás assim tão perto.
E quando o perto virá?
Tão certo!

Vem para perto.
E leva para longe esse pensamento.

Tão incerto.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

-=Outro querer=-

Hoje bem sei que não te quero.
Não quero nada.
Por mais que me queiras, ou não.

Mas sei que não me queres.
E o não-quereres faz-se o querer-te.

Quero te querer.

Mas só te quero se quiseres que eu queira.
Mesmo que não me queiras. Não importa.

Isso é comigo.

E eu quero é esse querer.

Tão intenso...
...que eu queira, em vão, deixar de querer.